Mais do que defensores das leis, os advogados são parceiros dos clientes na solução dos problemas
Neste mês de agosto passado, foi comemorado o dia do advogado (dia 11). Como de costume, as seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as regiões promoveram eventos, colegas, clientes e pessoas afins homenagearam os profissionais e houve a publicação de diversas notícias a respeito da história e das façanhas dos advogados, de sua árdua tarefa de defender o direito e a justiça, das dificuldades da profissão e do sucesso na carreira.
Conforme previsto no artigo 133 da Constituição da República, “o advogado é indispensável à administração da justiça”. O respeito atrelado a essa disposição constitucional é também o retrato da importância com a qual os cidadãos devem olhar esse profissional.
Muito mais do que um “defensor das leis”, o advogado em verdade é um profissional de alto rendimento. É inevitável aqui a alusão a um atleta que dedica integralmente sua vida ao esporte. Da mesma forma, o advogado se dedica àquilo que faz, ao seu cliente, às suas causas e aos seus propósitos profissionais.
Nesta profissão não basta apenas articulação jurídica. É necessário ter sensibilidade no trato com o cliente, saber quais são as pretensões e os riscos, ser transparente e dedicado ao caso. Não raro, diz-se que o advogado também é psicólogo e terapeuta. Esse contexto representa o exercício da atividade, cuja humanização contraria à tendência de mecanizar também esta profissão.
Advogados não são robôs! E um dos principais fatos que definem isso é a oralidade. A audiência normalmente é um dos pontos mais importantes em diversas causas, cuja defesa do cliente acaba se entrelaçando à fala da parte contrária, também de seu advogado e do juiz. Não raro há testemunhas, Promotores, entre outros agentes que participam desse evento.
É uma situação que pode gerar grande desgaste, mas também retribuir com a possibilidade de, frente a frente, as partes se conciliarem, pôr fim à discussão e – se não for pedir muito – encerrarem a mágoa ou angústia que possa ter sido eventualmente gerada por força da lide. O inadimplemento já não importa mais e uma causa resolvida é colocada na conta do advogado.
Aliás, justamente nesse mês de agosto circulou na internet um vídeo no qual uma juíza, ao tomar o depoimento da autora da ação, aparentemente teria excedido os limites de sua autoridade, acabando por expor a parte a uma situação constrangedora e desrespeitosa. Os advogados ali presentes tentaram argumentar sobre aquela situação e não foram atendidos. Enfim, apesar de ser uma situação atípica, o estresse tomou conta do ambiente e do processo.
Essa situação demonstra que o advogado deve estar preparado não apenas para a execução de sua atividade técnica, como a produção de provas, realização de perguntas, entre outros. Deve, também, estar preparado para administrar uma situação de risco e de conflito, inclusive com o juiz, sempre sustentando suas ações na cordialidade e no profissionalismo para não correr o risco de exceder, da mesma forma, os limites de sua atuação e da relação respeitosa com o outro.
Não raro, o advogado acaba levando esse sentimento para o seu íntimo e isso honorário algum poderá compensar. A angústia também faz parte da profissão, seja pela eventual demora no andamento dos processos, pelo resultado diverso do esperado ou pela pressão em alguns momentos como o narrado acima.
O ideal é ter calma no trabalho. Ao peticionar, buscar reservar os problemas pessoais para evitar que se misturem ao processo. Apesar de a emoção ser uma boa aliada na hora de argumentar, é necessário dosar sua aplicação. É uma tarefa difícil, mas a experiência contribui para o amadurecimento do advogado como pessoa e para o aperfeiçoamento em sua profissão.
De caso a caso, é diante da situação colocada na mesa que observamos quão necessárias e árduas são as atividades do advogado, sem o qual certamente não se poderia pensar em um ideal de justiça e nem mesmo no direito.
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